sexta-feira, 5 de junho de 2015

UNIR, LUTAR e CONQUISTAR


O texto acima é da coluna da jornalista Rosane de Oliveira na Zero Hora de hoje, 05 de junho de 2015. Ele evidencia uma prática que já é recorrente na administração do Estado do Rio Grande do Sul e ajuda a explicar um pouco do porque as empresas públicas estarem como estão. 

No início do ano, o presidente da CEEE, Sr Paulo de Tarso Pinheiro Machado, reuniu os trabalhadores da empresa para falar sobre a grave crise financeira por qual passa a Companhia. Segundo ele, em 2014 a CEEE teria fechado suas contas com um déficit de R$ 445,3 milhões, e a previsão para 2015 seria de um novo déficit de R$ 600 milhões.

Há anos os trabalhadores da CEEE ouvem a mesma choradeira de que a empresa está em uma situação gravíssima, e que para sair dessa situação seria necessário um sacrifício de todas as partes. O que eles não dizem é que a culpa pela CEEE estar em dificuldades não é da imensa maioria dos seus trabalhadores, que trabalha arduamente pela companhia, muitas vezes enfrentando mau tempo, condições adversas e até falta de materiais adequados para trabalhar. A culpa está justamente nas sucessivas administrações estaduais e em muitos gestores da empresa. 

Esquecem os governos e gestores que em 1997, em decorrência da privatização da CEEE, a empresa transferiu R$ 2,1 bilhões aos cofres do Estado (valor da época). Tal valor atualizado aos dias de hoje daria em torno de R$ 30 bilhões, o suficiente para recuperar a rede elétrica da Companhia, realizar importantes investimentos e modernizar a prestação dos seus serviços. Sem dúvidas tais medidas trariam novas divisas à CEEE, proporcionando uma remuneração melhor ao seu corpo funcional. 

Também esquecem que em 1998 a CEEE sofreu uma redução de Capital de R$ 415 milhões (R$ 4,06 bi em valores atuais) em benefício de estradas estaduais. 

Em 2013, o então governador Tarso Genro tentou colocar no Caixa Único do Estado cerca de R$ 768 milhões referente à terceira parcela do CRC (Créditos de Resultados a Compensar) em troca da folha de pagamentos dos ex-autárquicos da Companhia. Um recurso que deveria ser utilizado somente para investimentos e que poderia ajudar, por exemplo, na redução das perdas comerciais da Companhia.

É sempre assim, os governos precisando de dinheiro para pagar o funcionalismo e compromissos da dívida pública "pegam emprestado" recursos das empresas estatais. Essas empresas, deixam de fazer investimentos, de qualificar seus funcionários e de pagar uma remuneração decente para os seus trabalhadores, e recebem multas pesadíssimas dos órgãos reguladores por não atenderem às exigências quanto à qualidade dos serviços prestados. Nesse contexto, não demora a surgir algum oportunista dizendo que as empresas públicas são ineficientes, que só dão despesas ao Estado e que o melhor é privatiza-las de uma vez.

Se o governador Sartori e o presidente Paulo de Tarso estão realmente comprometidos com a recuperação da CEEE como afirmaram durante a campanha eleitoral e no início do ano, deveriam começar garantindo que os recursos da companhia permanecessem nos seus cofres, a fim de dar andamento às diversas obras iniciadas na gestão anterior. Deveriam sim pedir a contribuição e o esforço dos trabalhadores, mas ao mesmo tempo em que garantam uma remuneração adequada aos mesmos, dando tranquilidade e segurança para que possam desempenhar adequadamente seu trabalho. 

Por isso estamos empenhados na luta por um reajuste decente para a categoria. A Corsan já conseguiu fechar o seu Acordo Coletivo com um reajuste de 8,34% (equivalente ao INPC de maio de 2014 a maio de 2015), derrubando a tese de que as empresas públicas estaduais não podem dar reajustes salariais pelo INPC. Agora cabe aos eletricitários lutarem com todas as armas de que dispõe para conseguir um reajuste semelhante. Para que isso seja possível é necessário que a categoria se una, se mobilize, e lute até o fim pelos seus objetivos. 

A deflagração de uma nova greve caso a CEEE não apresente uma proposta a contento já foi levantada na assembléia da última semana, e deve ser encarada com muita seriedade pela categoria. Só uma categoria que tem capacidade de lutar por seus objetivos receberá o devido respeito por parte dos seus gestores. Caso contrário, serão mais três anos amargando perdas salariais e de direitos, sem contar em uma possível privatização da parte de Geração da CEEE que está por vir. O recado está dado, UNIR, LUTAR e CONQUISTAR devem ser as palavras de ordem dos eletricitários em 2015, por isso, VAMOS À LUTA!

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