No
último dia 08 de abril a Câmara Federal aprovou o texto base do Projeto de Lei
4330/2004, que amplia as terceirizações para as atividades fim em empresas
públicas, privadas e de capital misto. O projeto atingirá diretamente o setor
elétrico, e, se aprovado da forma original, permitirá a terceirização, por
exemplo, dos serviços de teleatendimento, emergência, fiscalização, manutenção
de redes, cobrança, entre outros.
Uma
emenda ao projeto, aprovada dia 14, retira do PL a permissão de terceirização
das áreas fim em empresas públicas e de capital misto, o que representa uma
vitória parcial para os trabalhadores. Parcial, pois a maioria dos
eletricitários do país e do estado são vinculados à iniciativa privada (ex. RGE
e AES), e também porque o projeto ainda
será encaminhado ao Senado e à presidenta Dilma, e poderá sofrer novas
modificações, por isso não podemos baixar
a guarda.
O PL 4330 representa uma grave
ameaça aos direitos dos trabalhadores,
pois fragiliza as relações de trabalho com contratos menos estáveis e menos
direitos, achata os salários, aumenta a rotatividade no mercado de trabalho, além
de aumentar os riscos à vida dos eletricitários. Dados do Departamento
Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) mostram que a
taxa de mortalidade entre terceirizados no setor elétrico chega a ser 3,21
vezes maior do que entre não terceirizados.
Informações importantes:
- Em 2013, das 79 mortes de trabalhadores ligados ao setor elétrico ocorridas no exercício do seu trabalho, 61 foram de trabalhadores terceirizados;
- Terceirização está fortemente relacionada à escravidão. Dos 3.553 casos de resgate a trabalhadores em situação análoga ao trabalho escravo, cerca de 3.000 eram terceirizados;
- De acordo com pesquisa realizada em 2013 entre o Dieese e a CUT, os trabalhadores terceirizados recebiam 24,7% a menos, e tinham uma jornada semanal de três horas a mais;
- 46% dos trabalhadores terceirizados não contribuem para a Previdência Social.

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