O movimento sindical brasileiro surgiu sobre grande influência do
pensamento anarquista e socialista advindos dos movimentos revolucionários
europeus do início do século XX. No início, quando não havia regulamentação
sobre as relações de trabalho, muita gente teve que ir pro pau contra o
patronato e contra o governo, muitos trabalhadores morreram fazendo greves e
lutando por melhores condições de vida e de trabalho.
Com o advento do Estado-Novo de Vargas, foram implementadas diversas
reformas para industrializar o país, tais como a criação da Petrobrás, da Vale
do Rio Doce, a Companhia Siderúrgica Nacional, entre outras empresas
importantes para o desenvolvimento nacional, também foi criada a CLT
(Consolidação das Leis do Trabalho) para dar alguma proteção à nascente classe
operária que começava a ocupar os centros urbanos do país.
A CLT, criada sob inspiração da “Carta Del Lavoro” do fascista Benito
Mussolini, trouxe consigo uma visão de conciliação de classes e de controle do
movimento sindical pelo Estado. Os dois principais símbolos desse controle são
a Unicidade Sindical (proibição da existência de mais de um sindicato por
categoria no mesmo território) e o Imposto Sindical (contribuição compulsória
descontada anualmente no contracheque do trabalhador, sem opção de oposição).
Nessa época, a força política que
representava uma visão mais crítica e combativa do sindicalismo brasileiro era
o PCB (Partido Comunista do Brasil), que tinha a prática de infiltrar seus
quadros políticos nas fábricas pra induzir os trabalhadores a se rebelarem
contra as explorações sofridas. Entre os eletricitários tivemos o histórico
Álvaro Ayala (em frente ao refeitório da CEEE existe até hoje o Centro
eletricitário Álvaro Ayala), que era do partidão e foi da direção do SENERGISUL
até a deflagração da ditadura civil-militar de 1964, quando foi preso e perdeu
seus direitos políticos e civis.
A partir de 1964 o
PCB foi posto na ilegalidade, seus dirigentes foram perseguidos, presos e
assassinados pelo governo, e a maioria dos sindicatos foi dominados por
dirigentes “pelegos”, que eram verdadeiros representantes do setor patronal no
movimento sindical, muito parecidos com o SENERGISUL de hoje. Tinham como
objetivo amortecer os conflitos entre os trabalhadores e os patrões,
implementando um movimento sindical assistencialista, substituindo o papel do
estado na oferta de diversos serviços aos trabalhadores (consultórios médicos e
dentários foram pra dentro dos sindicatos, colônias de férias e sedes
campestres foram construídas com recursos dos trabalhadores), deslocando o foco
do movimento sindical do seu papel mais reivindicatório e político.
Nos anos finais da
ditadura (1978/79), fruto de muita luta e resistência, surgiu o “Novo
Sindicalismo”, levantando as bandeiras da liberdade e autonomia dos
sindicatos frente aos governos e patrões, defendendo o fim do imposto sindical
e o fim das intervenções do Estado na organização dos trabalhadores. Trazia
como pautas a organização no local de trabalho, bem como a construção de um
sindicalismo combativo, autônomo e classista, também defendiam a criação de uma
central sindical (foi aí que surgiu a CUT) com a finalidade de organizar a
classe trabalhadora para além dos interesses coorporativos de cada categoria.
Ao longo dos anos 1980 a CUT foi protagonista de grandes lutas da classe
trabalhadora, construindo Greves Gerais que paralisaram o país e denunciavam as
péssimas condições a que estavam submetidos os trabalhadores brasileiros. Em
1988 conquistamos a redução da jornada de trabalho de 48 para 44 horas, a
criação do Sistema Único de Saúde, bem como diversos outros direitos que foram
assegurados pela nova constituição federal. Neste período elegeu-se deputado
estadual pela primeira vez o eletricitário Antonio de Pádua Barbedo (PDT), até
hoje presidente do SENERGISUL.
A derrota do socialismo real nos fins
dos anos 1980 e início dos anos 1990, representadas pela queda do Muro de
Berlim e pelo fim da URSS, preparou o terreno para a ascensão de uma nova etapa
no desenvolvimento capitalista, era o início da hegemonia neoliberal, e com ela
vieram as privatizações, a desregulamentação das relações de trabalho, a maior
abertura da economia brasileira ao capital estrangeiro, etc.
Em nível nacional este projeto foi representado por Collor e FHC, já no RS foi o PMDBista Antônio Britto que se encarregou de aplicar o receituário neoliberal, com as privatizações do banco Meridional, da CRT e de boa parte da CEEE. Na sua base aliada, Britto contava com o eletricitário Antônio de Pádua Barbedo, eleito pela segunda vez deputado estadual, dessa vez pelo mesmo PMDB de Britto, e que acumulava os cargos de deputado e de presidente do SENERGISUL.
Em nível nacional este projeto foi representado por Collor e FHC, já no RS foi o PMDBista Antônio Britto que se encarregou de aplicar o receituário neoliberal, com as privatizações do banco Meridional, da CRT e de boa parte da CEEE. Na sua base aliada, Britto contava com o eletricitário Antônio de Pádua Barbedo, eleito pela segunda vez deputado estadual, dessa vez pelo mesmo PMDB de Britto, e que acumulava os cargos de deputado e de presidente do SENERGISUL.
No final da década de 1990, o neoliberalismo já dá sinais de seu
esgotamento aqui no RS e os gaúchos elegem Olívio Dutra (PT) para governar o
estado, governo este que, herdando um Estado sucateado e desmontado pelos
governos anteriores, e sofrendo fortes ataques da mídia local (em especial da
RBS), foi responsável por algumas iniciativas importantes para a recuperação da
economia do estado, como a criação da Secretaria de Energia e Recursos
Minerais, liderado pela atual presidenta da república Dilma Rousseff, e a retomada
dos investimentos na CEEE. Coincidentemente ou não, foi a última vez em que se
organizou um movimento de oposição às gestões do SENERGISUL.
Em 2002, sob forte apoio popular, Lula derrota José Serra nas eleições presidenciais, aqui no RS Tarso Genro perde para Germano Rigotto após derrotar Olívio Dutra nas prévias internas do PT. Marcado por seu caráter contraditório, o governo Lula frustra boa parte do movimento sindical e do funcionalismo público que o apoiou ao colocar em votação a famigerada reforma da previdência que retirou direitos dos servidores públicos federais.
Em 2002, sob forte apoio popular, Lula derrota José Serra nas eleições presidenciais, aqui no RS Tarso Genro perde para Germano Rigotto após derrotar Olívio Dutra nas prévias internas do PT. Marcado por seu caráter contraditório, o governo Lula frustra boa parte do movimento sindical e do funcionalismo público que o apoiou ao colocar em votação a famigerada reforma da previdência que retirou direitos dos servidores públicos federais.
Neste momento, a situação do movimento sindical, que já sofria um
refluxo das suas lutas após uma década de resistência e enfrentamento ao
neoliberalismo, fica ainda mais fragilizada com o divisionismo que se sucede
por conta das divergências quanto a sua postura frente ao governo Lula. Setores
historicamente combativos como a CUT passam a adotar uma postura de colaboração
a até defesa do novo governo, colocando a sua própria base em contradição, uma
vez que a CUT surge defendendo justamente a autonomia do movimento sindical.
Em resposta a isso, cria-se a Conlutas, formada principalmente por
militantes do PSTU, a Intersindical, ligada ao PSOL, e, logo em seguida, a CTB,
formada por militantes do PCdoB, esta última apresentando como divergência
principal em relação à CUT a posição
sobre o Imposto Sindical.
Entre os eletricitários, este período também é marcado por constantes
perdas de direitos e de conquistas históricas. Com uma categoria dividida e
fragilizada pela privatização do setor elétrico gaúcho, pelo crescimento das
terceirizações decorrentes da reestruturação do mercado de trabalho, e um
Sindicato de baixo poder de combatividade e cada vez mais distante da base, aos
poucos a categoria eletricitária vai perdendo a referência no seu sindicato,
que mantém-se basicamente pelo prestígio que adquiriu junto aos trabalhadores
mais antigos e aos aposentados, fruto de inúmeras ações trabalhistas que
fragilizaram financeiramente a CEEE e engordaram a conta bancária de alguns.
Diante deste quadro que atinge o movimento sindical como um todo, e o
setor eletricitário gaúcho em específico, urge a necessidade de se repensar
novas estratégias de luta e de organização dos trabalhadores, que sejam capazes
de renovar as direções existentes com a qualidade, combatividade e transparência necessárias para reconquistar
a confiança dos trabalhadores. Que articule as lutas quotidianas por maior
democracia nas relações de trabalho, por segurança e saúde laboral, e pela
valorização dos funcionários, com bandeiras históricas da classe trabalhadora,
como a regulamentação das terceirizações, a redução na jornada de trabalho sem
redução de salários, o fim das demissões imotivadas (Resolução 156 da OIT), e a
luta por liberdade e autonomia sindical, incluindo o fim do Imposto e da
Unicidade Sindical, principais sustentáculos dos sindicatos pelegos e de
fachada, como o SENERGISUL.
Durante o mês de junho estaremos
realizando ações junto à categoria eletricitária para dar visibilidade a estas
e outras idéias, uma dessas ações consiste na realização de um plebiscito pelo
Fim do Imposto Sindical, esperamos poder dialogar com muitos trabalhadores a
fim de buscar novos apoios e conhecer um pouco mais a realidade da nossa
categoria, assim damos os primeiros passos rumo à construção de um novo
movimento autônomo, combativo e democrático no seio da categoria eletricitária.
Nenhum comentário:
Postar um comentário